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Escrito por Artemis

Além da fabricação do mel as abelhas também são responsáveis pela produção de muitos outros tipos de alimentos.

Por meio do transporte do pólen de uma planta a outra (processo conhecido como Polinização), esses insetos tornam possível a reprodução das plantas e o desenvolvimento de frutos e sementes. Café, maracujá, laranja e soja são apenas alguns exemplos de alimentos que utilizamos no nosso dia-a-dia e que dependem fortemente do serviço fornecido pelas abelhas.

Mas será que nos custos do processo produtivo do café está incluído o valor referente ao pagamento do serviço realizado pela abelha? A resposta a essa pergunta ainda é não. Embora as abelhas nativas estejam desaparecendo da natureza pelo uso excessivo de inseticidas e pela invasão de espécies exóticas (e alguns produtores já estarem tendo que alugar colmeias para polinizar suas plantações), na maioria dos casos o custo da polinização nunca é contabilizado. Isso é considerado uma externalidade, ou seja, um serviço relacionado à atividade econômica que não é valorado pelo mercado.

A polinização realizada pelas abelhas e a consequente produção de alimentos é um exemplo do que chamamos de Serviços Ecossistêmicos. O controle do clima e a proteção do solo e dos recursos hídricos realizado pela vegetação são outros bons exemplos. A valoração desses serviços é uma técnica que permite atribuir valores monetários aos benefícios fornecidos pela natureza, demonstrando os prejuízos econômicos advindos da degradação ambiental e as contribuições financeiras da conservação dos recursos. Só para se ter uma ideia, um estudo realizado pela ONU estimou que as Unidades de Conservação no Brasil geram cerca de R$ 5,77 bilhões ao ano em serviços ecossistêmicos para a sociedade brasileira.

 Nesse contexto, quanto valeria o serviço realizado por uma abelha para produzir o café que você tomou pela manhã? Embora nenhuma abelha vá cobrar um salário do produtor, é bom ter esse valor ambiental em mente na hora de produzir e gerenciar uma propriedade rural, pois é lá que moram essas incansáveis trabalhadoras. Preservar áreas de matas próximas as áreas produtivas é também uma forma de manter a sustentabilidade do agronegócio.

 

Deise Miola

Bióloga, Mestre e Doutoranda em Ecologia, diretora da Artemis Ambiental.

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